Luteranismo
Justificação pela fé; sacerdócio universal dos crentes; tradução da Bíblia para o alemão por Lutero em 1534.
Renascimento · Humanismo · Reforma Protestante
«Conhece-te a ti mesmo, e tornar-te-ás senhor do mundo.»Role
Itália, século XIV — o homem redescobre o mundo
Surgido na Itália do século XIV, o Renascimento foi um movimento cultural, artístico e científico que rompeu com a visão teocêntrica medieval. Florença, Veneza e Roma tornaram-se palcos de uma redescoberta da Antiguidade Clássica greco-romana.
Patrocinado pela burguesia mercantil — sobretudo pela família Médici — o movimento elevou o ser humano ao centro do universo. A perspectiva linear, a anatomia, a proporção áurea e o naturalismo transformaram a arte e a ciência.
A filosofia que devolveu a dignidade ao homem
O Humanismo foi a corrente filosófica que sustentou o Renascimento. Os humanistas defendiam o estudo das studia humanitatis — gramática, retórica, poesia, história e filosofia moral — em oposição à escolástica medieval.
Para o humanista, o ser humano possui dignidade, livre-arbítrio e capacidade infinita de aperfeiçoamento. A invenção da imprensa por Gutenberg (c. 1450) permitiu a difusão sem precedentes das ideias, traduções da Bíblia e dos clássicos.
«Posso fazer-me a mim mesmo aquilo que livremente desejar ser.» Pico della Mirandola · Discurso sobre a Dignidade do Homem · 1486
Resgate de Platão, Cícero, Sêneca e Aristóteles nas fontes originais.
Lorenzo Valla desmascara a Doação de Constantino como falsificação.
Educação integral de corpo, mente e espírito — o uomo universale.
Dante, Petrarca e Boccaccio elevam as línguas nacionais à literatura.
31 de outubro de 1517 — o dia em que a cristandade se partiu
Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano alemão Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, denunciando a venda de indulgências pela Igreja Católica. Era o início da maior fratura religiosa do Ocidente.
A Reforma somou-se ao descontentamento com a corrupção do clero, ao nacionalismo dos príncipes alemães e à difusão das ideias humanistas. Apoiada pela imprensa, a mensagem reformista alcançou toda a Europa em poucos anos.
Justificação pela fé; sacerdócio universal dos crentes; tradução da Bíblia para o alemão por Lutero em 1534.
Doutrina da predestinação; ética do trabalho; base sociológica do capitalismo moderno segundo Max Weber.
Henrique VIII rompe com Roma em 1534 pelo Ato de Supremacia, misturando ritos católicos e doutrina reformada.
Roma respondeu com o Concílio de Trento (1545–1563), a fundação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (1540), a reativação da Inquisição e o Index Librorum Prohibitorum. A Europa mergulhou em guerras religiosas que só terminariam em 1648 com a Paz de Vestfália.
Quatro séculos que refundaram o Ocidente
Pai do Humanismo, redescobre cartas de Cícero e funda a filologia clássica.
A tipografia de tipos móveis revoluciona a difusão do saber.
Sábios bizantinos levam manuscritos gregos para a Itália.
Pico della Mirandola escreve o manifesto da dignidade humana.
Colombo amplia o mapa do mundo conhecido.
Leonardo da Vinci inicia o retrato mais célebre da história.
Erasmo de Roterdã satiriza a corrupção do clero.
Início oficial da Reforma Protestante em Wittenberg.
Henrique VIII proclama-se cabeça da Igreja da Inglaterra.
Manifesto teológico do calvinismo.
Inácio de Loyola funda a ordem jesuíta.
Copérnico publica De Revolutionibus.
A Igreja Católica reorganiza dogmas e disciplina.
Fim das guerras religiosas — cuius regio, eius religio.
Os mestres que esculpiram a modernidade








O que ficou — e ainda hoje nos define
«O Renascimento não foi um simples retorno à Antiguidade, mas o nascimento de um novo modo de ser humano: livre, curioso, criador, capaz de medir os céus e de duvidar dos próprios deuses.»