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Renascimento
MDXIV — MDCXLVIII
Século XIV — XVII · Europa

O Renascer do Homem

Renascimento · Humanismo · Reforma Protestante

«Conhece-te a ti mesmo, e tornar-te-ás senhor do mundo.»
Role
FlorençaWittenbergGenebraRomaVenezaMainzRoterdãFlorençaWittenbergGenebraRomaVenezaMainzRoterdã
N° 02 / Capítulo I

O Renascimento

Itália, século XIV — o homem redescobre o mundo

Homem Vitruviano, Leonardo da Vinci
Fig. 01 Homem Vitruviano · Leonardo da Vinci · c. 1490

Surgido na Itália do século XIV, o Renascimento foi um movimento cultural, artístico e científico que rompeu com a visão teocêntrica medieval. Florença, Veneza e Roma tornaram-se palcos de uma redescoberta da Antiguidade Clássica greco-romana.

Patrocinado pela burguesia mercantil — sobretudo pela família Médici — o movimento elevou o ser humano ao centro do universo. A perspectiva linear, a anatomia, a proporção áurea e o naturalismo transformaram a arte e a ciência.

1453 Queda de Constantinopla
manuscritos clássicos chegam ao Ocidente
1492 Chegada à América
o mundo conhecido se expande
1543 Heliocentrismo de Copérnico
a Terra deixa o centro do cosmos

Pilares do movimento

01AntropocentrismoO homem como medida de todas as coisas
02RacionalismoA razão acima do dogma religioso
03ClassicismoInspiração na cultura greco-romana
04NaturalismoObservação fiel da natureza
05IndividualismoO artista como autor genial
06MecenatoA burguesia financia as artes
N° 03 / Capítulo II

O Humanismo

A filosofia que devolveu a dignidade ao homem

Erasmo de Roterdã por Holbein
Fig. 02 Erasmo de Roterdã · Hans Holbein · 1523

O Humanismo foi a corrente filosófica que sustentou o Renascimento. Os humanistas defendiam o estudo das studia humanitatis — gramática, retórica, poesia, história e filosofia moral — em oposição à escolástica medieval.

Para o humanista, o ser humano possui dignidade, livre-arbítrio e capacidade infinita de aperfeiçoamento. A invenção da imprensa por Gutenberg (c. 1450) permitiu a difusão sem precedentes das ideias, traduções da Bíblia e dos clássicos.

«Posso fazer-me a mim mesmo aquilo que livremente desejar ser.» Pico della Mirandola · Discurso sobre a Dignidade do Homem · 1486
.01

Volta aos clássicos

Resgate de Platão, Cícero, Sêneca e Aristóteles nas fontes originais.

.02

Filologia crítica

Lorenzo Valla desmascara a Doação de Constantino como falsificação.

.03

Pedagogia nova

Educação integral de corpo, mente e espírito — o uomo universale.

.04

Vernáculo

Dante, Petrarca e Boccaccio elevam as línguas nacionais à literatura.

N° 04 / Capítulo III

A Reforma Protestante

31 de outubro de 1517 — o dia em que a cristandade se partiu

Martinho Lutero por Cranach
Fig. 03 Martinho Lutero · Lucas Cranach · 1528

Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano alemão Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, denunciando a venda de indulgências pela Igreja Católica. Era o início da maior fratura religiosa do Ocidente.

A Reforma somou-se ao descontentamento com a corrupção do clero, ao nacionalismo dos príncipes alemães e à difusão das ideias humanistas. Apoiada pela imprensa, a mensagem reformista alcançou toda a Europa em poucos anos.

Os cinco solas

Sola ScripturaSomente a Escritura
Sola FideSomente a fé
Sola GratiaSomente a graça
Solus ChristusSomente Cristo
Soli Deo GloriaGlória somente a Deus

Ramificações da Reforma

Alemanha

Luteranismo

Justificação pela fé; sacerdócio universal dos crentes; tradução da Bíblia para o alemão por Lutero em 1534.

Suíça / França

Calvinismo

Doutrina da predestinação; ética do trabalho; base sociológica do capitalismo moderno segundo Max Weber.

Inglaterra

Anglicanismo

Henrique VIII rompe com Roma em 1534 pelo Ato de Supremacia, misturando ritos católicos e doutrina reformada.

Resposta de Roma

Contrarreforma Católica

Roma respondeu com o Concílio de Trento (1545–1563), a fundação da Companhia de Jesus por Inácio de Loyola (1540), a reativação da Inquisição e o Index Librorum Prohibitorum. A Europa mergulhou em guerras religiosas que só terminariam em 1648 com a Paz de Vestfália.

N° 05 / Capítulo IV

Cronologia

Quatro séculos que refundaram o Ocidente

1304

Nasce Petrarca

Pai do Humanismo, redescobre cartas de Cícero e funda a filologia clássica.

1450

Imprensa de Gutenberg

A tipografia de tipos móveis revoluciona a difusão do saber.

1453

Queda de Constantinopla

Sábios bizantinos levam manuscritos gregos para a Itália.

1486

Discurso de Pico

Pico della Mirandola escreve o manifesto da dignidade humana.

1492

Chegada à América

Colombo amplia o mapa do mundo conhecido.

1503

Mona Lisa

Leonardo da Vinci inicia o retrato mais célebre da história.

1511

Elogio da Loucura

Erasmo de Roterdã satiriza a corrupção do clero.

1517

95 Teses de Lutero

Início oficial da Reforma Protestante em Wittenberg.

1534

Ato de Supremacia

Henrique VIII proclama-se cabeça da Igreja da Inglaterra.

1536

Institutas de Calvino

Manifesto teológico do calvinismo.

1540

Companhia de Jesus

Inácio de Loyola funda a ordem jesuíta.

1543

Heliocentrismo

Copérnico publica De Revolutionibus.

1545

Concílio de Trento

A Igreja Católica reorganiza dogmas e disciplina.

1648

Paz de Vestfália

Fim das guerras religiosas — cuius regio, eius religio.

N° 06 / Capítulo V

Figuras imortais

Os mestres que esculpiram a modernidade

Leonardo da Vinci
Itália · Polímata

Leonardo da Vinci

1452 — 1519

Pintor, anatomista, engenheiro, inventor. Encarnou o ideal do uomo universale: Mona Lisa, A Última Ceia, Homem Vitruviano.

Michelangelo
Itália · Escultor

Michelangelo

1475 — 1564

David, Pietà, abóbada da Capela Sistina, projeto da Basílica de São Pedro. O titã do Alto Renascimento.

Rafael Sanzio
Itália · Pintor

Rafael Sanzio

1483 — 1520

Mestre da harmonia clássica. A Escola de Atenas reúne toda a filosofia antiga sob arcadas renascentistas.

Erasmo de Roterdã
Países Baixos · Humanista

Erasmo de Roterdã

1466 — 1536

Príncipe dos humanistas. O Elogio da Loucura (1511) satirizou o clero corrupto sem romper com Roma.

Martinho Lutero
Alemanha · Reformador

Martinho Lutero

1483 — 1546

Monge agostiniano alemão. Pregou a justificação pela fé e traduziu a Bíblia ao alemão, fundando o protestantismo.

João Calvino
França · Teólogo

João Calvino

1509 — 1564

Teólogo francês radicado em Genebra. Sistematizou a teologia reformada nas Institutas da Religião Cristã.

Johannes Gutenberg
Alemanha · Inventor

Johannes Gutenberg

c. 1400 — 1468

Ourives alemão. Inventou a tipografia de tipos móveis em metal — ferramenta sem a qual nem o Renascimento nem a Reforma teriam alcançado as massas.

Galileu Galilei
Itália · Cientista

Galileu Galilei

1564 — 1642

Físico e astrônomo italiano. Aperfeiçoou o telescópio, confirmou o heliocentrismo e fundou o método científico moderno.

N° 07 / Epílogo

O legado

O que ficou — e ainda hoje nos define

01

Cultura

  • Fundação da estética ocidental moderna
  • O artista como gênio criador autônomo
  • Consolidação das línguas vernáculas
  • Universidades como centros do saber crítico
02

Ciência

  • Método empírico-experimental (Bacon, Galileu)
  • Astronomia heliocêntrica (Copérnico, Kepler)
  • Anatomia moderna (Vesálio)
  • Cartografia e navegação científica
03

Religião

  • Pluralismo religioso no Ocidente
  • Bíblia em línguas nacionais
  • Germe da liberdade de consciência
  • Reforma interna do catolicismo
04

Política

  • Estados nacionais centralizados
  • Germe da separação Igreja / Estado
  • Maquiavel funda a ciência política
  • Caminho para o Iluminismo

«O Renascimento não foi um simples retorno à Antiguidade, mas o nascimento de um novo modo de ser humano: livre, curioso, criador, capaz de medir os céus e de duvidar dos próprios deuses.»

— Finis —